Conforme o previsto, aqui se apresentam os textos que, por falta de espaço, não puderam ser publicados na mais recente edição do jornal Aqui D’El Rei.
À MÃE
A Mãe é uma estrela
Que está na Terra…
Ilumina o Mundo…
Cuida dos filhos
Com Amor profundo.
A Mãe é a minha vida
Sem Ela fico perdida.
Sou uma filha pequenita
Sem a Mãe fico aflita!
A minha vida tem uma razão
Ter a minha mãe
No meu coração!
Nair Soares 3ºB EB1 Corgo
FEIRA DO LIVRO
No dia 13 de Março de 2008, na EB1 Corgo – Meinedo, realizou-se uma Feira
do Livro.
Decorreu das 9 horas às 17:30h no polivalente desta escola, dado que o tempo estava um pouco chuvoso.
Os livros foram colocados nas diferentes barraquinhas de acordo com a idade a quem se destinavam.
Esta feira foi visitada por muitos familiares e amigos dos alunos desta escola.
Também recebemos a visita de alunos e professores de outras escolas.
A feira foi um sucesso pois vendemos muitos livros. O dinheiro apurado será aplicado na compra de novos livros para a nossa biblioteca.
Os alunos do 4ªB EB1 Corgo
HISTÓRIA DO BICHO-DA-SEDA NA NOSSA ESCOLA
A nossa professora de Inglês, Fátima Vieira, trouxe-nos muitos bichos-da-seda para podermos observar as diversas fases (metamorfoses) pelas quais estes bichinhos passam.
Como eram muitos, distribuímo-los pelas outras turmas. Conclusão: começou
a ” loucura” do bicho da seda; todos ficaram eufóricos.
A partir daqui tínhamos que saber tudo sobre estes bichos. Pesquisamos e descobrimos que:
- A seda é utilizada há 4000 anos e que foi na China que tudo começou.
- Chegou à Europa, passando por vários impérios, onde eram pagos impostos que faziam com que a seda ficasse cada vez mais cara.
- Os caminhos utilizados pelos mercadores para transportarem a seda eram conhecidos como “Rotas da Seda”. Cada viagem demorava entre seis a oito anos.
- Depois de Vasco da Gama ter descoberto o caminho marítimo para a Índia os portugueses começaram a comprar seda directamente aos Chineses.
- Assim, a seda chegava à Europa mais barata, em maior quantidade, e mais rapidamente.
- As lagartas vêm dos ovos e ficam quase um ano dentro do seu ovo. Levam muitos meses sem comer, mas quando nascem têm muita fome e a sua primeira comida é a casca do seu ovo.
- Quando o bicho-da-seda nasce (na Primavera) tem cerca de 2,5 mm de comprimento.
- O bicho-da-seda come durante quarenta e dois (42) dias e sofre cinco (5) mudanças (metamorfoses) aumentando o seu peso 10000 vezes mais.
- Torna-se, então, numa lagarta, a larva de uma borboleta, e come grandes quantidades de folhas de amoreira. Chega a medir 5 cm. Pertence à classe dos insectos. É diminuto e peludo.
- Quando está na quarta idade come todo o tipo de folhas de amoreira.
- Nunca lhe deve faltar comida fresca senão pode morrer.
- O bicho-da-seda também não deve estar ao sol; pode estar quieto entre 24 e 30 horas.
- O lugar ideal para as larvas é dentro de uma caixa de sapatos.
- A lagarta depois faz uma bela casa (casulo). O casulo demora a fazer 3 dias e 3 noites. A lagarta mexe-se 200.000 vezes, para o fazer.
- Finalmente transforma-se em borboleta.
- O fio da seda é a baba da lagarta.
- Cada casulo pode atingir 3km de fio mas para tal não se pode deixar que a borboleta saia do casulo.
- Logo que esteja feito mete-se em água quente, entre 50ºe 60º, para que o bicho morra e não fure o casulo, evitando assim que o fio parta.
- Para encontrar a ponta do fio do casulo, este tem de já ter amolecido na água. A seguir, bate-se devagarinho com uma vassoura especial e depois começa-se a desenrolar, fazendo meadas.
Como nós gostamos muito destes bichinhos, e apenas queremos estudar o seu ciclo de vida, deixamos a borboleta sair do casulo e assim machos e fêmeas acasalam para que estas ponham ovos. Logo de seguida, machos e fêmeas morrem ficando apenas os ovos que se guardam até à próxima Primavera, altura em que irão eclodir.
Concluindo: estamos a gostar desta experiência. A maior dificuldade está em arranjar folhas de amoreira para alimentar estes bichinhos, pois eles só pensam em comer!
Trabalho Colectivo do 3ºB EB1 Corgo
A história do linho
A minha bisavó trabalhava com linho: fiava e tecia com o tear que era uma espécie de máquina de madeira que se movia apenas com o esforço humano.
Na imagem podemos observar uma roca com o linho à volta, um fuso de fiar e uma meada. Estão ainda expostos vários trabalhos feitos em linho.
Para melhor documentar a história do linho fizemos uma visita de estudo ao engenho do linho que existe em Aveleda e entrevistámos pessoas que costumavam mover o engenho e tratar dos tomentos do linho.
Pedro Jorge 4.ºano
Avós e mãe do Vasco (4.ºano) visitaram a exposição e feira do livro. Gentilmente, cederam-nos vários trabalhos realizados manualmente.
Deixaram o seu testemunho de situações vividas no passado.
Todas as pessoas se sentiam emocionadas ao ver as coisas a serem tão valorizadas.
Conforme iam entrando, iam enumerando utensílios iguais que tinham em casa. Pensavam que já ninguém guardava “aquelas coisas”.
A D. Conceição aceitou o nosso convite e concordou em contar-nos algumas das suas experiências de vida.
Quase podíamos chamar-lhe a “mulher dos sete ofícios”.
Trabalhou toda a vida e, apesar de ter cerca de oitenta anos, ainda não parou.
Trabalhou na agricultura, no engenho do linho, no milho, no bordo do ponto de cruz e ainda sabe fiar.
Estava emocionada por ter sido convidada para vir à escola.
Apesar da idade, os seus dedos e a boca (com a boca tira as palhinhas finas do linho) transformavam a meada num fio fino e uniforme.
Os cesteiros eram assim chamados por fazerem cestos de vimes. Eram todos feitos á mão. Cada cesto demorava, em média, meio-dia de trabalho. Dependia do tamanho e do tipo de vara que se utilizava.
Pedro Jorge 4.ºano
Durante a exposição houve pessoas que ficaram sensibilizadas ao verem tanto trabalho artesanal e referiram que se lembravam de ir ao rio cortar vimes e transportá-los às costas até casa do cesteiro, onde eram confeccionados posteriormente.
Nós investigámos e descobrirmos que em Lousada, mais precisamente em Nespereira, ainda há um cesteiro muito velhinho a trabalhar. Teve trabalhos expostos na Escola Secundária de Lousada.
Os cestos serviam para guardar broa, para transportar alimentos do quintal, para pôr o trabalho de cheio ou ponto de cruz, para colocar a roupa dobrada, para os ovos. As melhores cestas eram para transportar as mais variadas coisas (merendas, coelhos ou galinhas, …) quando as pessoas se deslocavam para outra povoação.
Era vulgar ver as pessoas viajar no comboio com algumas cestas parecidas com as da gravura.
Outra forma de artesanato muito comum tinha como matéria-prima a lã das ovelhas.
As pessoas tosquiavam as ovelhas nos meses de Maio e Junho. Depois lavavam a lã e com ela faziam cobertores quentinhos para o Inverno. Também faziam tapetes e colchas como se vê na fotografia.
A lã também era tratada, ripada e tecida num tear manual de madeira.
As pessoas que praticaram esta actividade referem que havia muita arte na tecelagem.
Antigamente não havia edredões. As pessoas usavam na cama lençóis de linho e cobertores de lã de ovelha.

Este objecto de madeira é um rodo que servia para espalhar ou juntar o milho na eira.
Ao lado está um malho para malhar as espigas espalhadas na eira.
Actualmente todo este trabalho é feito através de maquinaria.
Os campos estavam todos cultivados e toda a gente trabalhava, desde a criança em idade escolar até ao adulto.
Os campos junto ao rio estavam todos cultivados.
A terra era lavrada com o carro puxado a bois.
O trabalho era muito duro.
Actualmente o milho é cultivado sobretudo para fazer forragem para dar de comer aos bois durante todo o ano.
Flávio Gabriel (4.ºano)
As pessoas iam às feiras onde se vendiam bordados, cestos, peneiras, toucas, meias de lã, linho que se tecia no tear, tapetes, tamancos, chapéus de palha, pipos em madeira e ferramentas.
Havia pedreiros, carpinteiros, mineiros, lavradores, costureiras e criadores de gado.
Tiago Emanuel, 4.ºano
Antigamente a minha avó fazia bordados e ia às feiras. Estas não eram como agora. Trocavam-se galinhas, porcos, farinha e milho para fazerem pão. Também vendiam galinhas chocas para chocar os ovos, de que nascem os pintainhos.
Luís Carlos (4.º ano)
A avó do Luís cedeu a meada do linho, a roca e outros objectos.
O machado, a serra e o serrote eram ferramentas do dia-a-dia.
Feira do Livro
Realizou-se na sexta-feira dia 7 de Março. A escola esteve aberta até às nove horas da noite para a população poder visitar a exposição e a feira.
Teve uma grande adesão por parte de toda a comunidade. Os Professores deram o seu melhor e sentiam-se entusiasmados com o sucesso de todas as actividades.
Visita do órgão de gestão
Tivemos a visita de representantes do órgão de gestão.
A minha avó materna bordava ponto de cruz, ponto de alinhavo, ponto de crivo, ponto cheio e outros pontos de que não sabe o nome.
A minha avó conta que bordava para ganhar algum dinheiro, mas gostava muito do seu trabalho.
Tiago André (4.ºano)
O ponto de cruz era uma actividade que funcionava como complemento e uma forma de subsistência para algumas pessoas.
Iam buscar o bordado à Lixa ou então havia alguém intermediário que os trazia. Era muito mal pago e era um trabalho demorado.
Trabalhavam, mais ou menos, das dez da manhã às quatro da tarde.
A partir dessa hora, adultos e crianças preparavam montinhos de folhelho, que seria ripado depois das cinco da manhã, por ser mais fresco e o pó ser menos agressivo. Durante o dia os molhos de folhelho eram levados a um local onde seria encaminhado para fazer colchões.
As mulheres faziam pão com farinha de milho e papas para alimentar a família.
O milho era seco nos espigueiros.
Escola antiga
Se estamos a falar de artesanato e de “Memórias”, voltamos à escola antiga. Procuramos livros e objectos utilizados pelos nossos avós.
A lousa, a pena, o livro único, a máquina de escrever antiga, tudo teve lugar na nossa exposição de artesanato.
Alunas/alunos do sexto ano olharam para tudo com carinho enquanto outros visitantes observavam a caixa métrica com um certo saudosismo.
Tanto os mais jovens como os adultos mostraram interesse e admiração pelo trabalho exposto.
Actividades
Peça de teatro – “A Senhora Televisão”, organizado e ensaiado pelas dinamizadoras da Biblioteca de Lousada.
Alunos do 4.ºano
Dramatização do diálogo – “A Cidade e a Aldeia”, actividade realizada pela Ana Catarina e pela Cláudia do 4.ºano.
“O Zé Pacóvio “
Monólogo realizado pelo senhor Fernando, poeta da terra, que teve a gentileza de participar em algumas actividades, oferecer livros para a biblioteca escolar e ler alguns poemas sobre Aveleda.
Articulação com o JI durante a semana da leitura
Os meninos do jardim de Uchas vieram partilhar das nossas actividades da Semana da Leitura. Foi-lhes apresentada a história do “Sapo Apaixonado”, que faz parte do Plano Nacional de Leitura.
Recontaram a história e visitaram a nossa exposição.
A educadora “Sãozinha” explicou aos meninos do Jardim como se
malhava o milho com o mangual.
Actividades da Páscoa
Hora do conto – Enquanto decorria a caça ao tesouro nas turmas do 1.º e 2.º ano, o 3.º e 4.ºanos fizeram actividades na biblioteca. Foi lida a história da “Valéria e a Vida” e posteriormente foi elaborado, em grupo, um cartaz sobre a história e explorados os problemas do ambiente.
Caça ao tesouro – Para esta actividade foram elaboradas pistas didácticas, as quais foram espalhadas pela Escola. A actividade física esteve em sincronia com o raciocínio. Todos estivemos muito envolvidos e motivados. As professoras acompanharam-nos e partilharam do nosso entusiasmo.
Foi muito divertido!

Exemplo de uma pista da actividade «Caça ao Tesouro»
2 – Têm que preencher as lacunas deste texto:
A Rita foi à _______, bebeu _______ e comeu _______ de tomate.
O Tomé foi de _________ à vila e o avô foi a __________.
O __________ é maluco! Ele come ______ e bebe ________.
Salada – mota – sumo – papagaio – rua – cavalo – pão – leite
Quando acertarem, procurem a próxima pista na secretária da Professora que não dá aulas ao 3º ano, não dá aulas ao 4º ano e nem dá aulas ao 1º ano. Quem é?
Prof. Natália
25 de abril
Como já havia sido planeado, a partir do segundo período, a biblioteca de Mourinho, Aveleda, esteve mais uma vez aberta à comunidade educativa durante o mês de Abril para uma exposição sobre o 25 de Abril. A exposição teve o contributo dos professores, dos alunos, de familiares e de outras pessoas que quiseram participar.
Foram recolhidos materiais, revistas, livros, calendários, jornais, CDs, DVDs, bandeiras, documentos e fotobiografias.
Os professores trabalharam o tema adequando-o à idade dos alunos e incentivaram-nos a realizar trabalhos para decorar a biblioteca. Foram pintadas telas, realizados desenhos alusivos ao tema, trabalhos de grupo, pesquisas na Internet e em livros e revistas. Os professores das AECs também deram o seu contributo fazendo pesquisas, produzindo materiais (cravos, espingardas em cartão, painéis e powerpoints, para ficar na biblioteca) e participando na decoração da escola.
Também houve a partilha de testemunhos de pessoas que viveram de perto o 25 de Abril e foi dada aos alunos uma perspectiva do contexto histórico da época.
A Coordenadora da Biblioteca
Desenhos do 25 de abril
Ana Filipa e Ana Isabel, 1.º ano
Revistas da época
Livros cedidos para a exposição.
Calendários de campanhas eleitorais.
Bandeiras obtidas na comunidade.
Escola da Aveleda
Podes consultar aqui vários sites que te vão ajudar nas tuas dificuldades de escrita.
Dicionários de várias línguas (português incluído).
Tradutores;
Dicionário de Inglês com som da pronúncia das palavras.
Alguns de vós, eu sei, já experimentaram este corte de cabelo virtual, mas para todos aqueles que não experimentaram ou que queiram transmitir esta informação aos amigos, aqui fica o link para o site onde encontrei o ficheiro ou então descarreguem aqui o ficheiro e ouçam-no sempre que quiserem.
Não esquecer que devem ouvi-lo com auscultadores ou auriculares e de preferência com os olhos fechados.
Se quiserem ouvir mais alguns destes sons podem encontrá-los aqui. Na minha opinião estes últimos não se comparam com o corte de cabelo, mas…
O jornalista e poeta António Alves Martins (1897-1929), proferiu em 27 de Março de 1924 no salão da Liga Naval, em Lisboa, uma conferência intitulada “Teixeira de Pascoaes e o sentido profético do seu lirismo”. Essa conferência, por iniciativa da “Renascença Portuguesa”, repetir-se-ia no Porto, no salão nobre do jornal O Primeiro de Janeiro, às 21 horas do dia 22 de Abril de 1924.
Alves Martins, segundo o Diário de Lisboa de 16 de Abril, seguira para o Porto acompanhado de Teixeira de Pascoaes, mas sabe-se que prolongou a sua viagem até Amarante e só depois regressaria ao Porto para proferir a referida conferência.
Da sua breve estadia no Porto e em Amarante, deixou-nos António Alves Martins dois pequenos apontamentos que viriam a ser publicados na edição do Diário de Lisboa de 25 de Abril de 1924, na habitual rubrica “Chá das cinco”.
No primeiro, sobre o Porto, não se afasta muito de outros olhares forasteiros que nas primeiras impressões confessam a aparente rudeza da cidade e das suas gentes, opinião que, de uma forma geral, não demoram a rectificar.
Não é mais generoso na apreciação que faz de Amarante, uma vila de que manifestamente não gostou, pese embora a beleza do Tâmega e a imagem tosca e comovente da Pietá a que os amarantinos chamam Nossa Senhora da Ponte.
A esses apontamentos chamou-lhes o jornalista-poeta “Notas de viagem”. Aqui se deixam aos leitores do blog A nossa escola.
António José Queirós
Notas de viagem
“Trago sempre um peso de granito sobre a alma quando vou ao Porto. Não é, pois, de estranhar que a sua população seja misantropa, desconfiada, cautelosa, continuamente fitando o escuro maciço dos edifícios, doirados, a custo, pelo sol.
Gosto, no entanto, do Porto. É uma cidade pitoresca, uma cidade com individualidade própria – uma cidade que tem orgulho do seu passado – quer ele seja o espectro romântico de Camilo ou a elegância granítica da Torre dos Clérigos ou, simplesmente, ruas fora, o aspecto rural encantador, das pontas infinitas dos seus bois…”
***
“Uma vila feia, banhada por um lindo rio: Amarante.
É curiosa a ponte sobre o Tâmega – a ponte de «Pobre Tolo», onde em quinta-feira santa vi passar Nosso Senhor Crucificado.
A um dos lados da ponte, a igreja do casamenteiro S. Gonçalo. Há, nesta igreja, uma imagem tosca de santa bizantina, aconchegando ao peito Jesus, não Jesus pequenino, não Jesus amarrado em sangue ao madeiro, mas Jesus homem, Jesus idoso, Jesus de grandes barbas compridas – que é dum simbolismo humano deveras enternecedor.
Tais não é certo que andamos ao colo durante a vida toda?
Amarante, onde não vi uma mulher bonita, pois a beleza fugiu toda para a paisagem que a cerca, tem vários cafés, como Lisboa. Entre eles, o café da Maricas, a Brasileira do Rossio de Amarante. É frequentado pela gente que trabalha: sapateiros, alfaiates, etc. A gente que se presume «chic» não o frequenta.
Teixeira de Pascoaes, quando desce à vila, passa neste café horas esquecidas. Porquê? É que a Maricas, dona do café, tem um coração magnânimo – como o de certas mulheres humildes de Camilo.
A tia Maricas, que vive apenas dos cafés que vende, é a mãe de todas as crianças abandonadas. Tem um rancho infinito, que veste, calça e sustenta.
Isto enternece o Poeta, que lhe paga, em dobrado, os cafés que bebe”.
António Alves Martins
O poeta António Alves Martins nasceu em Viseu em 1897 e nessa cidade viria a falecer em 1929. Era sobrinho de célebre Bispo viseense do mesmo nome. Licenciou-se em Direito, em Lisboa, cidade em que exerceu a actividade jornalística no Diario de Lisboa. É autor dos seguintes livros: Anunciação (1921); Mulher de Bençam (1923); Fogueira Eterna (1926) e S. Francisco de Assis (1927). Deixou inédito A Lança de S. Miguel.
No dia 27 de Março de 1924, às 16:30h, no Salão da Liga Naval, em Lisboa, este jornalista e poeta proferiu uma conferência subordinada ao título “Teixeira de Pascoaes, o sentido profético do seu lirismo”.
A essa conferência, a que só tiveram acesso pessoas com convite, assistiram escritores, jornalistas, artistas e grande número de senhoras. Entre os presentes estavam Raul Brandão, Aquilino Ribeiro, Jaime Cortesão, António Sérgio, Câmara Reis e Pina de Morais. É bem provável que o poeta amarantino Teixeira de Pascoaes se encontrasse então em Lisboa mas não há notícia de que tenha assistido à conferência.
O texto lido por Alves Martins estruturava-se da seguinte forma:
- Poesia e Lirismo;
- A Escola de Coimbra, ou a junção da poesia com a filosofia;
A eclosão do lirismo de Pascoaes;
O livro Sempre;
A Natureza, a Alma, Deus;
Marános e Regresso ao Paraíso;
Elegias;
Conclusão.
Vários jornais se referiram à conferência, mas aqueles que deram mais que uma simples notícia foram o Diario de Noticias, A Patria e O Seculo.
Segundo os relatos da imprensa, Alves Martins começou por definir o que entendia por poesia e lirismo:
“Poesia quer dizer vibração – vibração de emoções e sentimentos, desde os de simples comoção aos da mais funda penetração interior. Eis porque a mais alta feição poética, a única mesmo, é a feição lírica, interpretando o lirismo como ele deve ser interpretado: um estado de alma emocional”.
Para o conferencista não existiam escolas de poesia:
“O que há é a arte de fazer versos, orientada para um sentido estético. Nos poetas portugueses predomina, não a estética, mas a emoção, a sensibilidade, o sentimento – um estado de alma emocional, criador supremo do lirismo”.
“Lirismo – continuou – não é sinónimo de simplicidade. Tão líricos são os versos cristalinos e simples de João de Deus, como os sonetos torturados e subjectivos de Antero de Quental. Bernardim Ribeiro, Rodrigues Lobo, Frei Agostinho (da Cruz), S. Francisco de Assis, António Nobre, Antero, Junqueiro e Teixeira de Pascoaes, representam dentro da poesia lírica as características mais variadas”.
Analisando a personalidade poética de Pascoaes, afirmou o orador:
“Teixeira de Pascoaes é, incontestavelmente, no lirismo português, uma alta figura representativa. É um «poeta-profeta» entendendo-se por esta designação todo aquele que penetra, afirmou Carlyle, o «mistério sagrado do Universo», seja o «segredo aberto de Goethe»”.
Quando surgem os primeiros versos de Pascoaes, segundo Alves Martins, o lirismo português continuava muito ligado às fórmulas românticas. Os nossos “versejadores” eram “uma espécie de discípulos de Soares de Passsos”. Pascoaes, porém, “fez da sua arte qualquer coisa de mais belo e de mais amplo. Escolhendo para fonte da sua inspiração a saudade – espiritualizou o Universo”. E é por isso que o panteísmo literário de Pascoaes é tão diferente do de Junqueiro:
“Ao panteísmo literário de Junqueiro, todo expressão verbal de ritmos e imagens, sucede, em Teixeira de Pascoaes, poeta como Junqueiro nunca foi, um panteísmo saudosista, pelo qual a vida se adivinha para além do mundo sensível – de onde resulta um lirismo optimista, crente da imortalidade, embora seus acentos vibrem num espaço movimentado de sombras – as trágicas sombras do seu mundo íntimo projectando, longe, sua divina claridade”.
A Natureza, a Alma, Deus, para Alves Martins, são as três grandes modalidades do verbo profético de Pascoaes, poeta que, com o Sempre, abriu novas veredas à poesia portuguesa. Pascoaes, afirma, “é essencialmente um lírico; mas isso não obsta a que a sua obra esteja, aqui e além, ressaibada de clarões de epopeia, e, por vezes, mesmo, de comentários irónicos”.
Analisando a obra do poeta de Amarante, Alves Martins refere-se deste modo ao livro As Sombras:
“A sombra do Passado, a sombra do Tâmega, a sombra do Luar, a sombra do Vento, a sombra do Homem, a sombra da Vida, todas as sombras do Mundo, são como que fantasmas de Jesus, que depois de ressuscitado, voltasse de novo a humanizar-se, para morrer de novo sobre a cruz. Há nelas, no seu vasto coração misterioso, a lembrança dum luar perdido, e a esperança da sua nova comunhão”.
A concepção do lirismo de Pascoaes sobre as mulheres foi igualmente abordada pelo orador:
“Pascoaes é um poeta impulsivo, vai na rajada da sua emoção, como as folhas e os ramos das árvores no vento.
O coração da mulher que ama, não palpita, apenas, no seu peito, mas abrange toda a terra, e ocupa todo o espaço.
A mulher é a grande reveladora do amor, e o amor, como a dor, sua irmã, o grande laço que o prende”.
Depois de analisar outros livros do poeta amarantino, dos quais leu vários trechos, concluiu que através da obra literária de Pascoaes se cria um corpo de doutrina, “o panteísmo saudosista”. Terminou com as seguintes palavras:
“Pascoaes, como Camões, Frei Agostinho da Cruz e Antero de Quental, é uma figura representativa.
O poeta, que não pode abrir os olhos sem abrir o «seu coração à dor ou à alegria» realizando assim, mas com mais sentido espiritual, o casamento da alma humana com o mundo é, no lirismo português, um mundo subjectivo de sentimentos eternos, em face do eterno mistério da Esfinge.
Lê-lo é pôr em acorde a nossa alma com a alma de todas as coisas do mundo.
Se Camões foi a complexidade amorosa, Frei Agostinho a divina saudade e Antero de Quental a inteligência sofredora, Pascoaes é a sensibilidade emotiva, a impressionabilidade metafísica,
Criando um novo céu além do céu;
Criando um novo mundo além do mundo”.
No final da conferência, pela qual foi muito felicitado e aplaudido, Alves Martins foi convidado a repeti-la na semana seguinte, em Coimbra, no Centro Académico. Na pesquisa feita na imprensa de Coimbra, Lisboa e Porto não se encontrou qualquer notícia sobre a sua realização. Cerca de três semanas mais tarde, no dia 22 de Abril, às 21 horas, Alves Martins, a convite da Renascença Portuguesa, iria repeti-la no Salão Nobre do jornal O Primeiro de Janeiro. Contrariamente ao que havia sucedido em Lisboa, no Porto a entrada foi franqueada a todos quantos a ela quiseram assistir.
António José Queirós
Ílhavo, 22 de Outubro de 2007
Senhor Presidente da República Portuguesa
Excelência:
Disse V. Excia, no discurso do passado dia 5 de Outubro, que os professores precisavam de ser dignificados e eu ouso acrescentar: “Talvez V. Excia não saiba bem quanto!”
1. Sou professor há mais de trinta e seis anos e no ano passado tive o primeiro contacto com a maior mentira e o maior engano (não lhe chamo fraude porque talvez lhe falte a “má-fé”) do ensino em Portugal que dá pelo nome de Cursos de Educação e Formação (CEF).
A mentira começa logo no facto de dois anos nestes cursos darem equivalência ao 9º ano, isto é, aldrabando a Matemática, dois é igual a três!
Um aluno pode faltar dez, vinte, trinta vezes a uma ou a várias disciplinas (mesmo estando na escola) mas, com aulas de remediação, de recuperação ou de compensação (chamem-lhe o que quiserem mas serão sempre sucedâneos de aulas e nunca aulas verdadeiras como as outras) fica sem faltas. Pode ter cinco, dez ou quinze faltas disciplinares, pode inclusive ter sido suspenso que no fim do ano fica sem faltas, fica puro e imaculado como se nascesse nesse momento.
Qual é a mensagem que o aluno retira deste procedimento? Que pode fazer tudo o que lhe apetecer que no final da ano desce sobre ele uma luz divina que o purifica ao contrário do que na vida acontece. Como se vê claramente não pode haver melhor incentivo à irresponsabilidade do que este.
2. Actualmente sinto vergonha de ser professor porque muitos alunos podem este ano encontrar-me na rua e dizerem: ”Lá vai o palerma que se fartou de me dizer para me portar bem, que me dizia que podia reprovar por faltas e, afinal, não me aconteceu nada disso. Grande estúpido!”
3. É muito fácil falar de alunos problemáticos a partir dos gabinetes mas a distância que vai deles até às salas de aula é abissal. E é-o porque quando os responsáveis aparecem numa escola levam atrás de si (ou à sua frente, tanto faz) um magote de televisões e de jornais que se atropelam uns aos outros. Deviam era aparecer nas escolas sem avisar, sem jornalistas, trazer o seu carro particular e não terem lugar para estacionar como acontece na minha escola.
Quando aparecem fazem-no com crianças escolhidas e pagas por uma empresa de casting para ficarem bonitos (as crianças e os governantes) na televisão.
Os nossos alunos não são recrutados dessa maneira, não são louros, não têm caracóis no cabelo nem vestem roupa de marca.
Os nossos alunos entram na sala de aula aos berros e aos encontrões, trazem vestidas camisolas interiores cavadas, cheiram a suor e a outras coisas e têm os dentes em mísero estado.
Os nossos alunos estão em estado bruto, estão tal e qual a Natureza os fez, cresceram como silvas que nunca viram uma tesoura de poda. Apesar de terem 15/16 anos parece que nunca conviveram com gente civilizada.
Não fazem distinção entre o recreio e o interior da sala de aula onde entram de boné na cabeça, headphones nos ouvidos continuando as conversas que traziam do recreio.
Os nossos alunos entram na sala, sentam-se na cadeira, abrem as pernas, deixam-se escorregar pela cadeira abaixo e não trazem nem esferográfica nem uma folha de papel onde possam escrever seja o que for.
Quando lhes digo para se sentarem direitos, para se desencostarem da parede, para não se virarem para trás olham-me de soslaio como que a dizer “Olha-me este!” e passados alguns segundos estão com as mesmas atitudes.
4. Eu não quero alunos perfeitos. Eu quero apenas alunos normais!!!
Alunos que ao serem repreendidos não contradigam o que eu disse e que ao serem novamente chamados à razão não voltem a responder querendo ter a última palavra desafiando a minha autoridade, não me respeitando nem como pessoa mais velha nem como professor. Se nunca tive de aturar faltas de educação aos meus filhos por que é que hei-de aturar faltas de educação aos filhos dos outros? O Estado paga-me para ensinar os alunos, para os educar e ajudar a crescer; não me paga para os aturar! Quem vai conseguir dar aulas a alunos destes até aos 65 anos de idade?
Actualmente só vai para professor quem não está no seu juízo perfeito mas se o estiver, em cinco anos (ou cinco meses bastarão?…) os alunos se encarregarão de lhe arruinar completamente a sanidade mental.
Eu quero alunos que não falem todos ao mesmo tempo sobre coisas que não têm nada a ver com as aulas e quando peço a um que se cale ele não me responda: “Por que é que me mandou calar a mim? Não vê os outros também a falar?”
Eu quero alunos que não façam comentários despropositados de modo a que os outros se riam e respondam ao que eles disseram ateando o rastilho da balbúrdia em que ninguém se entende.
Eu quero alunos que não me obriguem a repetir em todas as aulas “Entram, sentam-se e calam-se!”
Eu quero alunos que não usem artes de ventríloquo para assobiar, cantar, grunhir, mugir, roncar e emitir outros sons. É claro que se eu não quisesse dar mais aula bastaria perguntar quem tinha sido e não sairia mais dali pois ninguém assumiria a responsabilidade.
Eu quero alunos que não desconheçam a existência de expressões como “obrigado”, “por favor” e “desculpe” e que as usem sempre que o seu emprego se justifique.
Eu quero alunos que ao serem chamados a participar na aula não me olhem com enfado dizendo interiormente “Mas o que é que este quer agora?” e demorem uma eternidade a disponibilizar-se para a tarefa como se me estivessem a fazer um grande favor. Que fique bem claro que os alunos não me fazem favor nenhum em estarem na aula e a portarem-se bem.
Eu quero alunos que não estejam constantemente a receber e a enviar mensagens por telemóvel e a recusarem-se a entregar-mo quando lho peço para terminar esse contacto com o exterior pois esse aluno “não está na sala”, está com a cabeça em outros mundos.
Eu sou um trabalhador como outro qualquer e como tal exijo condições de trabalho! Ora, como é que eu posso construir uma frase coerente, como é que eu posso escolher as palavras certas para ser claro e convincente se vejo um aluno a balouçar-se na cadeira, outro virado para trás a rir-se, outro a mexer no telemóvel e outro com a cabeça pousada na mesa a querer dormir?
Quando as aulas são apoiadas por fichas de trabalho gostaria que os alunos, ao sair da sala, não as amarrotassem e deitassem no cesto do lixo mesmo à minha frente ou não as deixassem “esquecidas” em cima da mesa.
Nos últimos cinco minutos de uma aula disse aos alunos que se aproximassem da secretária pois iria fazer uma experiência ilustrando o que tinha sido explicado e eles puseram os bonés na cabeça, as mochilas às costas e encaminharam-se todos em grande conversa para a porta da sala à espera que tocasse. Disse-lhes: “Meus meninos, a aula ainda não acabou! Cheguem-se aqui para verem a experiência!” mas nenhum deles se moveu um milímetro!!!
Como é possível, com alunos destes, criar a empatia necessária para uma aula bem sucedida?
É por estas e por outras que eu NÃO ADMITO A NINGUÉM, RIGOROSAMENTE A NINGUÉM, que ouse pensar, insinuar ou dizer que se os meus alunos não aprendem a culpa é minha!!!
5. No ano passado tive uma turma do 10º ano dum curso profissional em que um aluno, para resolver um problema no quadro, tinha de multiplicar 0,5 por 2 e este virou-se para os colegas a perguntar quem tinha uma máquina de calcular!!! No mesmo dia e na mesma turma outro aluno também pediu uma máquina de calcular para dividir 25,6 por 1.
Estes alunos podem não saber efectuar estas operações sem máquina e talvez tenham esse direito. O que não se pode é dizer que são alunos de uma turma do 10º ano!!!
Com este tipo de qualificação dada aos alunos não me admira que, daqui a dois ou três anos, estejamos à frente de todos os países europeus e do resto do mundo. Talvez estejamos só que os alunos continuarão a ser brutos, burros, ignorantes e desqualificados mas com um diploma!!!
6. São estes os alunos que, ao regressarem à escola, tanto orgulho dão ao Governo. Só que ninguém diz que os Cursos de Educação e Formação são enormes ecopontos (não sejamos hipócritas nem tenhamos medo das palavras) onde desaguam os alunos das mais diversas proveniências e com histórias de vida escolar e familiar de arrepiar desde várias repetências e inúmeras faltas disciplinares até famílias irresponsáveis.
Para os que têm traumas, doenças, carências, limitações e dificuldades várias há médicos, psicólogos, assistentes sociais e outros técnicos, em quantidade suficiente, para os ajudar e complementar o trabalho dos professores?
Há alunos que têm o sublime descaramento de dizer que não andam na escola para estudar mas para “tirar o 9º ano”.
Outros há que, simplesmente, não sabem o que andam a fazer na escola…
E, por último, existem os que se passeiam na escola só para boicotar as aulas e para infernizar a vida aos professores. Quem é que consegue ensinar seja o que for a alunos destes? E por que é que eu tenho de os aturar numa sala de aula durante períodos de noventa e de quarenta e cinco minutos por semana durante um ano lectivo? A troco de quê? Da gratidão da sociedade e do reconhecimento e do apreço do Ministério não é, de certeza absoluta!
7. Eu desafio seja quem for do Ministério da Educação (ou de outra área da sociedade) a enfrentar ( o verbo é mesmo esse, “enfrentar”, já que de uma luta se trata…), durante uma semana apenas, uma turma destas sozinho, sem jornalistas nem guarda-costas, e cumprir um horário de professor tentando ensinar um assunto qualquer de uma unidade didáctica do programa escolar.
Eu quero saber se ao fim dessa semana esse ilustre voluntário ainda estará com vontade de continuar. E não me digam que isto é demagogia porque demagogia é falar das coisas sem as conhecer e a realidade escolar está numa sala de aula com alunos de carne, osso e odores e não num gabinete onde esses alunos são números num mapa de estatística e eu sei perfeitamente que o que o Governo quer são números para esse mapa, quer os alunos saibam estar sentados numa cadeira ou não (saber ler e explicar o que leram seria pedir demasiado pois esse conhecimento justificaria equivalência, não ao 9º ano, mas a um bacharelato…).
É preciso que o Ministério diga aos alunos que a aprendizagem exige esforço, que aprender custa, que aprender “dói”! É preciso dizer aos alunos que não basta andar na escola de telemóvel na mão para memorizar conhecimentos, aprender técnicas e adoptar posturas e comportamentos socialmente correctos.
Se V.Excia achar que eu sou pessimista e que estou a perder a sensibilidade por estar em contacto diário com este tipo de jovens pergunte a opinião de outros professores, indague junto das escolas, mande alguém saber. Mas tenha cuidado porque estes cursos são uma mentira…
Permita-me discordar de V. Excia mas dizer que os professores têm de ser dignificados é pouco, muito pouco mesmo…
Atenciosamente
Domingos Freire Cardoso
Professor de Ciências Físico-Químicas
Nós somos um grupo de alunos do 8º B, mais concretamente:
-Fabio Barbosa Nº11
-José Leite Nº15
-Pedro Ribeiro Nº 22
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Nós escolhemos o tema Winne the Pooh (em português, Ursinho Puff). O que nos atraiu para este tema foram as imagens tão giras. Achamos que devias visitar este site porque irás encontrar notícias muito actualizadas e imagens muito divertidas.
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